quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SISTEMA PRISIONAL


Por um futuro melhor


Detentas do Presídio Regional começaram ontem curso de manicure A privação de liberdade é uma barreira na vida de 67 detentas do Presídio Regional de Santa Maria. O cárcere, porém, não impede que 16 delas possam receber qualificação profissional. Com a cabeça no futuro, pensando além dos muros da casa prisional, elas começaram ontem pela manhã um curso de manicure, que ocorre nas dependências da cadeia. Divididas em 20 encontros, as 80 horas de curso reservam uma esperança de um futuro digno, longe da criminalidade e com fonte de renda garantida.

A duração do curso é de um mês, e as duas turmas de oito mulheres fazem parte de um projeto-piloto da Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) que, se der certo, será permanente em 2012. A cada três dias de curso, um é diminuído da pena.

Durante o curso, as presidiárias terão lições teóricas e práticas sobre manicure. No entanto, para ganhar o diploma e poder atuar de forma autônoma ou em salões de beleza, as alunas terão de passar por provas e obter desempenho igual ou superior à nota 6. Entre os quesitos avaliados pela professora Tatiane Dias Rodrigues, 20 anos, estão organização e higiene, postura e atitude, iniciativa e criatividade, entre outros.

Pela falta de condição do Presídio Regional, elas nunca tiveram essa possibilidade (de receber capacitação). É uma conquista muito grande avalia o delegado penitenciário regional da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Vanderlei Righi.

Favorável a melhores condições aos apenados em geral e comemorando a iniciativa pioneira, está a juíza da Vara de Execuções Criminais (VEC), Uda Roberta Doederlein Schwartz. Ela ainda defende a construção de um presídio feminino na Região Central.

É importante a reflexão delas sobre o trabalho durante o cumprimento da pena. Via de regra, elas ficavam em casa, agora, poderão trabalhar fora de suas moradias explica a magistrada.

Renda, A coordenadora de projetos da Fundae, Marcia Batista da Silva, 29 anos, explica que a atividade pode render às futuras profissionais até R$ 3 mil mensais.

Elas aprenderão a esterilizar os instrumentos. E outra, o Brasil é o segundo país do mundo que mais consome na área da beleza avisa Marcia.

Longe dos cadernos há mais de 20 anos, uma apenada de 46 anos, que cumpre pena por tráfico de drogas desde agosto de 2010, mostra-se empolgada com o curso. Ela comemora a chance de sair da cadeia com a possibilidade de voltar para o mercado de trabalho.

Já trabalhei como manicure, mas agora irei me profissionalizar ressalta.


MAIS
Penitenciária
Conforme a Susepe, a Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, deve ser totalmente concluída em até dois meses. De acordo com o órgão, 90% do segundo módulo, com capacidade para 336 homens, está pronto


Multimídia A iniciativa é promovida pela Fundae, dentro da própria cadeia. No total, as presas

terão 80 horas de aula, divididas em 20 encontros.


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