SISTEMA PRISIONAL
O tribunal do Apanhador
Assassinato registrado por câmera de vigilância é o terceiro em três anos de ocupação da cadeiaCaxias do Sul – Imagens de uma câmera de vigilância da Galeria A da Penitenciária Regional de Caxias do Sul (Percs) dão provas do controle exercido por determinados grupos de apenados dentro da cadeia. Às vésperas de completar três anos, há muito a Percs deixou de ser a cadeia modelo do Estado e referência no tratamento penal no país, qualidades propagandeadas à época da inauguração. O presídio do Apanhador, como a unidade prisional é popularmente conhecida , virou um depósito de criminosos como outro qualquer: degradado, insalubre e violento.
Quem dá as ordens e comanda o que acontece dentro das galerias é a massa carcerária. O Estado perdeu poder de tal forma que a Justiça é obrigada a consultar presos antes de transferir apenados de galeria.
Contrariar uma decisão dos detentos pode resultar em morte. Foi assim em maio passado, quando detentos instauraram pela última vez o tribunal do crime no Apanhador.
Em três anos, a Percs contabiliza outros dois assassinatos. Mas nenhum deles foi tão violento como o flagrante da Galeria A, na tarde de 12 de maio de 2011.
A série de imagens começa com a cúpula de presos que domina a galeria em uma reunião, no segundo pavimento. Enquanto eles conversam, criminosos de celas do segundo andar descem para a área de convivência, onde outros presidiários acompanham a movimentação de longe. Na reunião no segundo piso é decidido o destino de Anderson Rodrigues, 29 anos, e de Marcos Vinícius Pacheco Pereira, 27.
Os chefes da galeria atuam como juízes, promotores e advogados. Em um rápido julgamento, decidem matar Rodrigues, condenado em julgamentos legais a 37 anos e cinco meses de prisão por roubos e estupros.
Decisão tomada, a cúpula desce por uma escada até a área de convivência e convoca uma reunião com todos os recolhidos no espaço. A conversa dura quase três minutos, tempo suficiente para que todos os detentos tomem conhecimento da sentença do tribunal do crime. Entretanto, antes de iniciar a execução, a massa carcerária parte para cima de Pereira. Um grupo chuta e esmurra o rapaz, condenado por tráfico de drogas. As agressões são rápidas.
Em seguida, as atenções dos presos se voltam para Rodrigues. Cinco segundo após o começo do ataque, o rapaz tomba pela primeira vez. É golpeado nas costas, com estocadas. Mesmo ferido, ele levanta e corre em direção à entrada da galeria. A tentativa de fuga dura apenas dois segundos. Uma voadora no rosto derruba-o outra vez.
Nesse instante, a câmera flagra o momento mais impressionante: criminosos se armam com espadas artesanais e golpeiam inúmeras vezes o colega. Rodrigues insiste na fuga, mas cai outra vez, fora do campo de visão do equipamento.
Ali, recebe os golpes finais. Instantes depois, agentes retiram o corpo da galeria. Pereira, que havia sido espancado, aproveita a oportunidade para deixar a galeria e é encaminhado ao atendimento médico.
Fonte: www.zerohora.com
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