segunda-feira, 2 de maio de 2011

Governo começa hoje a definir pacote de medidas



Plano será apresentado ao Conselhão na quinta, mas pedido de urgência ainda não está decidido

Depois de um fim de semana de intensas reuniões, o governo começa a amarrar nesta segunda-feira o conjunto de medidas com as quais pretende equilibrar as contas do Estado. O pacote, que inclui a reforma da previdência dos servidores e a implantação da inspeção veicular, será apresentado hoje pela manhã ao governador Tarso Genro e deve ser encaminhado quinta-feira ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão).

Segundo Tarso, ainda não está decidido quando as medidas serão enviadas à Assembleia nem se elas seguirão em regime de urgência, o que obrigaria os deputados a votá-las em, no máximo, 30 dias.

– As medidas visualizam o saneamento das contas do Estado a longo de 10, 15 anos – disse o governador, ontem à noite, antes de participar do programa esportivo Papo de Bar, da Rádio Gaúcha.

Tarso confirmou o aumento do desconto dos servidores que ganham acima do teto de aposentadoria da Previdência Social (hoje em R$ 3.689,66), mas não adiantou o percentual da nova alíquota. Atualmente, os funcionários descontam 11% dos vencimentos para a previdência. A expectativa é de que o índice chegue a 14%. Quem ganha abaixo desse teto não será atingido.

– Não vamos agredir o direito de nenhum servidor nem vamos privatizar a previdência estadual – afirmou Tarso.

Segundo o governador, uma das possibilidades é criar uma previdência complementar para os servidores que ultrapassem o teto, com contabilidade separada, ao qual os funcionários poderiam aderir compulsória ou espontaneamente.

– Nossa ideia é de que a adesão seja compulsória, mas isso é uma questão que vamos discutir com o funcionalismo – afirmou.

O secretário da Fazenda, Odir Tonollier, que no sábado participou de uma longa reunião na Casa Civil para discutir detalhes do pacote, disse que o governo trabalha para caracterizar formalmente o regime previdenciário próprio do Estado.

– Isso significa não só uma redivisão das alíquotas de contribuição, mas a constituição de um fundo e de um órgão gestor, que poderá ser o próprio IPE, com seus custos e déficits contabilizados de forma transparente – disse Tonollier.

Segundo o secretário, os detalhes do pacote serão ajustados a partir de hoje, por isso a Fazenda ainda não sabe quantos servidores serão atingidos pela mudança de alíquota nem quanto o aumento da contribuição representará para o bolo previdenciário.

Na Assembleia, o pacote também começar a ser discutido mais intensamente nesta semana. O assunto vai dominar a reunião das bancadas dos partidos, neste terça-feira, embora ainda haja pouco a ser discutido.

– Estamos recebendo informações a conta-gotas e pela imprensa. É difícil até opinar – resumiu o líder da bancada do PMDB, Giovani Feltes.

Para Feltes, a única coisa clara é o “espírito arrecadatório” da instituição da inspeção veicular previsto no conjunto de medidas:

– Coincidentemente, o valor que o governo pretende arrecadar cobre as despesas com os cargos de confiança que ele criou – alfinetou.

As principais medidas

O pacote de ajuste financeiro que o governo deve apresentar esta semana contempla medidas polêmicas na previdência dos servidores estaduais e a criação da inspeção de veículos:
Previdência estadual

O QUE O GOVERNO DEVE PROPOR

- Será mantido o regime próprio de previdência, sem a adoção da previdência complementar, mas com o aumento da contribuição dos servidores, que hoje descontam 11% de seus salários.

- Será mantido o regime próprio de previdência, sem a adoção da previdência complementar, mas com o aumento da contribuição dos servidores, que hoje descontam 11% de seus salários.

- A nova alíquota deve ficar em 13% a 14% e será aplicada a partir do teto de aposentadoria da Previdência Social, hoje de R$ 3.689,66. O Estado continuaria contribuindo na proporção dois por um.

- O projeto também deve contemplar a criação de um fundo previdenciário e um órgão gestor, que deve ser o próprio IPE.

Limite para as RPVs

O QUE O GOVERNO DEVE PROPOR

- A ideia é limitar o pagamento das RPVs, também conhecidas como pequenos precatórios, a 1,5% da receita corrente líquida anual do Estado.

- Dívidas de até sete salários mínimos seriam pagas entre 60 e 90 dias.

- Acima desse teto, o pagamento seria em até 180 dias.

Vistoria anual de veículos

O QUE O GOVERNO DEVE PROPOR

- O serviço começaria em 2012, em Porto Alegre e na Região Metropolitana, para veículos fabricados entre 1997 e 2010.

- Seriam examinados o nível de poluição ambiental e sonora.

- Seria cobrada uma taxa entre R$ 60 e R$ 90, incluída no IPVA. O governo projeta arrecadar cerca de R$ 58 milhões anuais.

A arrecadação será centralizada pelo Estado, mas a execução do serviço poderá ser feita pelas prefeituras, que, em troca, receberão uma parte do valor cobrado pela inspeção.

Venda de prédios públicos desocupados

O QUE O GOVERNO DE PROPOR

- O governo pretende fazer caixa vendendo alguns dos seus 1,6 mil prédios públicos sem uso ou transferindo para imóveis próprios repartições que funcionam em prédios alugados.

- Dono de mais de 10 mil imóveis, o Estado gastará mais de R$ 45 milhões este ano com aluguel.

Fonte: Jornal Zero Hora - 02/05/2011.

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