Pente-fino no Presídio e no Albergue
O dia recém iniciava em Santa Maria, mas o prenúncio era de uma das maiores ações de revista já realizadas no Presídio Regional e no Albergue Estadual simultaneamente em conjunto entre a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), Polícia Civil, Brigada Militar (BM), com o apoio do Corpo de Bombeiros. Uma ampla e minuciosa varredura foi feita nas duas casas prisionais e também em residências situadas no entorno do Presídio Regional, no Bairro Medianeira. O mesmo tipo de ação foi executado no anexo do Albergue, na BR-287.
A mobilização reuniu mais de 300 agentes que fecharam o cerco contra presos que fazem das galerias e celas do presídio depósitos para celulares, drogas e estoques, espécie de facas artesanais confeccionadas nas próprias celas. E o saldo foi positivo. Conforme levantamento feito na tarde de ontem pela Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), foram apreendidos, apenas no presídio, 56 aparelhos de telefone celular, 61 chips, 115 estoques e mais de 360 gramas de maconha, cocaína e crack.
Para que a operação chegasse a esses números a movimentação começou cedo. Por volta das 5h30 os presos do Abergue foram levados ao refeitório para que os agentes da Susepe dessem início às revistas dentro das celas. Muitos detentos ainda sem entender o expressivo número de agentes e de policiais que tomavam conta das galerias, eram levados até a área externa enquanto os agentes da Susepe e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar buscavam por indícios que apontassem a existência de drogas, estoques e celulares dentro das celas A, B e C. Do lado de fora das duas casas prisionais, os policiais da Brigada Militar mantinham o perímetro das ruas do entorno do Presídio sob vigilância de homens armados que vigiavam a tudo atentamente.
A operação desencadeada pela Polícia Civil e pela Brigada Militar foi motivada por duas razões. A primeira devido às constantes tentativas de homicídio no entorno do Presídio Regional. O segundo motivo da ação foi a fuga de oito detentos no último dia 8 de fevereiro. Na época, os presos cavaram um túnel que dava para os fundos da cadeia. Para evitar que casos semelhantes voltem a se repetir a Susepe mobilizou uma ampla força-tarefa junto às polícias para minimizar esse tipo de ação orquestrada por detentos de dentro da cadeia. De acordo com o comandante do BOE, tenente-coronel João Ricardo Vargas, foram encontrados celulares, drogas e estoques que dão dimensão da ousadia dos presos que insistem em desafiar as direções das duas casas prisionais. “Para se ter ideia em um único buraco recolhemos 25 celulares, drogas e estoques”, disse Vargas.
Vizinhos – A ação também contou com a verificação de sete casas localizadas nas proximidades do complexo penitenciário da Rua Isidoro Grassi, no Bairro Medianeira, onde situam-se o Presídio Regional e o Albergue Estadual. A ampliação do leque das ações foi motivada devido à utilização de algumas residências como estacionamentos para motos e carros dos presos dos regimes aberto e semiaberto que passam o pernoite no Albergue Estadual (leia mais na matéria abaixo). O receio das autoridades é que os presos possam se valer dessas casas para esconder armas e drogas.
Celulares e drogas apreendidos no Albergue
Um dos alvos de revista da ação coordenada pela Susepe, Polícia Civil e Brigada Militar, o Albergue Estadual traz consigo uma situação diferenciada. Por lá ficam apenas os presos dos regimes aberto e semiaberto. Muitos deles passam grande parte do dia fora da casa penitenciária, mas isso não quer dizer que todos tenham atividades lícitas. Essa é a avaliação feita por um agente que trabalha no Albergue e que preferiu manter preservada a sua identidade. O funcionário da casa penitenciária diz que muitos apenados fazem do horário e do tempo livre fora das dependências do Albergue um momento para reincidir no crime. “Eu não vou generalizar, mas o que se vê aqui dentro é que tem muitos (presos) que saem, a princípio para trabalhar, mas acabam caindo na criminalidade. Esse tipo de ação dá uma noção do que ainda acontece debaixo do nariz da gente”, assegura o agente.
Conforme o administrador do Albergue Estadual, Florinal Matte, há, hoje, aproximadamente 140 presos nos regimes aberto e semiaberto que transitam pelas galerias do complexo. Ele conta que o prédio comporta 160 apenados, tendo capacidade para receber mais 60 presos no anexo, que fica localizado na BR-287. Matte explica que há dois tipos de albergados que podem ficar no local. O primeiro grupo é daqueles que aguardam por uma carta de emprego e que ficam detidos dentro das dependências do albergue. O segundo é composto pelos que retornam apenas à noite para dormir. Ou seja, são aqueles que estão no mercado de trabalho.
O Albergue Estadual conta com 20 agentes que dão suporte dentro das cinco galerias. Da janela de uma das galerias dos quartos onde ficam os albergados, um detento falou por trás das grades para a reportagem de A Razão das condições insalubres do prédio. “É um horror. Só vendo de perto o que é isso aqui. No calor a gente quase derrete e no inverno é muito frio. Os banheiros são sujos, as camas não são camas, a gente foi jogado e esquecido pelo governo”, desabafou o detento, dizendo já nem lembrar mais a idade que tem. Mesmo com todas as dificuldades encontradas, ele disse que os agentes fazem o melhor para deixar mais suportável a permanência deles no local. Na tentativa de ocupar os apenados ociosos a direção utiliza a mão de obra dos albergados para atividades na cozinha e na padaria. “Não são todos que conseguimos contemplar, mas é o que temos no momento”, reconhece Matte.
Moradores reclamam
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Civil, moradores e proprietários de algumas das casas por onde os policiais passaram elogiaram a operação, mas reclamaram da abordagem policial. “A operação faz sentido e está dentro da lei. O fazer não é o problema, o que não está certo é como eles fizeram”, desabafou um funcionário público aposentado que teve parte do muro de casa derrubado pelos policiais durante a entrada. “Quem vai assumir a responsabilidade quanto aos danos? Não podem destruir a propriedade dos outros”, disse o morador.
Todos os veículos dos apenados foram checados no sistema da polícia para ver se tinham alguma irregularidade. Nas casas onde foram cumpridos os mandados, celulares dos apenados foram aprendidos, além de pertences e equipamentos para verificação de procedência. Nas motocicletas foram verificados as placas, os números dos motores e a identidade dos proprietários.
Uma moradora que aluga a garagem para os apenados há mais de 10 anos diz que ações como a de ontem deveriam ser realizadas mais vezes. Ela diz não ter gostado de policiais invadindo a sua casa, mas concorda que a ação “foi boa”. “É um estresse acordar com isso sempre. Não deu problema em nenhuma moto que estava aqui na minha casa. Eles deveriam estar sempre aí”, afirmou a mulher.
Fonte: www.arazao.com.br
O dia recém iniciava em Santa Maria, mas o prenúncio era de uma das maiores ações de revista já realizadas no Presídio Regional e no Albergue Estadual simultaneamente em conjunto entre a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), Polícia Civil, Brigada Militar (BM), com o apoio do Corpo de Bombeiros. Uma ampla e minuciosa varredura foi feita nas duas casas prisionais e também em residências situadas no entorno do Presídio Regional, no Bairro Medianeira. O mesmo tipo de ação foi executado no anexo do Albergue, na BR-287.
A mobilização reuniu mais de 300 agentes que fecharam o cerco contra presos que fazem das galerias e celas do presídio depósitos para celulares, drogas e estoques, espécie de facas artesanais confeccionadas nas próprias celas. E o saldo foi positivo. Conforme levantamento feito na tarde de ontem pela Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), foram apreendidos, apenas no presídio, 56 aparelhos de telefone celular, 61 chips, 115 estoques e mais de 360 gramas de maconha, cocaína e crack.
Para que a operação chegasse a esses números a movimentação começou cedo. Por volta das 5h30 os presos do Abergue foram levados ao refeitório para que os agentes da Susepe dessem início às revistas dentro das celas. Muitos detentos ainda sem entender o expressivo número de agentes e de policiais que tomavam conta das galerias, eram levados até a área externa enquanto os agentes da Susepe e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar buscavam por indícios que apontassem a existência de drogas, estoques e celulares dentro das celas A, B e C. Do lado de fora das duas casas prisionais, os policiais da Brigada Militar mantinham o perímetro das ruas do entorno do Presídio sob vigilância de homens armados que vigiavam a tudo atentamente.
A operação desencadeada pela Polícia Civil e pela Brigada Militar foi motivada por duas razões. A primeira devido às constantes tentativas de homicídio no entorno do Presídio Regional. O segundo motivo da ação foi a fuga de oito detentos no último dia 8 de fevereiro. Na época, os presos cavaram um túnel que dava para os fundos da cadeia. Para evitar que casos semelhantes voltem a se repetir a Susepe mobilizou uma ampla força-tarefa junto às polícias para minimizar esse tipo de ação orquestrada por detentos de dentro da cadeia. De acordo com o comandante do BOE, tenente-coronel João Ricardo Vargas, foram encontrados celulares, drogas e estoques que dão dimensão da ousadia dos presos que insistem em desafiar as direções das duas casas prisionais. “Para se ter ideia em um único buraco recolhemos 25 celulares, drogas e estoques”, disse Vargas.
Vizinhos – A ação também contou com a verificação de sete casas localizadas nas proximidades do complexo penitenciário da Rua Isidoro Grassi, no Bairro Medianeira, onde situam-se o Presídio Regional e o Albergue Estadual. A ampliação do leque das ações foi motivada devido à utilização de algumas residências como estacionamentos para motos e carros dos presos dos regimes aberto e semiaberto que passam o pernoite no Albergue Estadual (leia mais na matéria abaixo). O receio das autoridades é que os presos possam se valer dessas casas para esconder armas e drogas.
Celulares e drogas apreendidos no Albergue
Um dos alvos de revista da ação coordenada pela Susepe, Polícia Civil e Brigada Militar, o Albergue Estadual traz consigo uma situação diferenciada. Por lá ficam apenas os presos dos regimes aberto e semiaberto. Muitos deles passam grande parte do dia fora da casa penitenciária, mas isso não quer dizer que todos tenham atividades lícitas. Essa é a avaliação feita por um agente que trabalha no Albergue e que preferiu manter preservada a sua identidade. O funcionário da casa penitenciária diz que muitos apenados fazem do horário e do tempo livre fora das dependências do Albergue um momento para reincidir no crime. “Eu não vou generalizar, mas o que se vê aqui dentro é que tem muitos (presos) que saem, a princípio para trabalhar, mas acabam caindo na criminalidade. Esse tipo de ação dá uma noção do que ainda acontece debaixo do nariz da gente”, assegura o agente.
Conforme o administrador do Albergue Estadual, Florinal Matte, há, hoje, aproximadamente 140 presos nos regimes aberto e semiaberto que transitam pelas galerias do complexo. Ele conta que o prédio comporta 160 apenados, tendo capacidade para receber mais 60 presos no anexo, que fica localizado na BR-287. Matte explica que há dois tipos de albergados que podem ficar no local. O primeiro grupo é daqueles que aguardam por uma carta de emprego e que ficam detidos dentro das dependências do albergue. O segundo é composto pelos que retornam apenas à noite para dormir. Ou seja, são aqueles que estão no mercado de trabalho.
O Albergue Estadual conta com 20 agentes que dão suporte dentro das cinco galerias. Da janela de uma das galerias dos quartos onde ficam os albergados, um detento falou por trás das grades para a reportagem de A Razão das condições insalubres do prédio. “É um horror. Só vendo de perto o que é isso aqui. No calor a gente quase derrete e no inverno é muito frio. Os banheiros são sujos, as camas não são camas, a gente foi jogado e esquecido pelo governo”, desabafou o detento, dizendo já nem lembrar mais a idade que tem. Mesmo com todas as dificuldades encontradas, ele disse que os agentes fazem o melhor para deixar mais suportável a permanência deles no local. Na tentativa de ocupar os apenados ociosos a direção utiliza a mão de obra dos albergados para atividades na cozinha e na padaria. “Não são todos que conseguimos contemplar, mas é o que temos no momento”, reconhece Matte.
Moradores reclamam
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Civil, moradores e proprietários de algumas das casas por onde os policiais passaram elogiaram a operação, mas reclamaram da abordagem policial. “A operação faz sentido e está dentro da lei. O fazer não é o problema, o que não está certo é como eles fizeram”, desabafou um funcionário público aposentado que teve parte do muro de casa derrubado pelos policiais durante a entrada. “Quem vai assumir a responsabilidade quanto aos danos? Não podem destruir a propriedade dos outros”, disse o morador.
Todos os veículos dos apenados foram checados no sistema da polícia para ver se tinham alguma irregularidade. Nas casas onde foram cumpridos os mandados, celulares dos apenados foram aprendidos, além de pertences e equipamentos para verificação de procedência. Nas motocicletas foram verificados as placas, os números dos motores e a identidade dos proprietários.
Uma moradora que aluga a garagem para os apenados há mais de 10 anos diz que ações como a de ontem deveriam ser realizadas mais vezes. Ela diz não ter gostado de policiais invadindo a sua casa, mas concorda que a ação “foi boa”. “É um estresse acordar com isso sempre. Não deu problema em nenhuma moto que estava aqui na minha casa. Eles deveriam estar sempre aí”, afirmou a mulher.
Fonte: www.arazao.com.br
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