terça-feira, 8 de março de 2011

A minha também!

A primeira rebelião

Presos da nova cadeia fizeram tumulto para pedir mudanças
Uma rebelião protagonizada por cerca de 25 presos, no final da tarde de sábado, revelou uma possível fragilidade da Penitenciária Estadual de Santa Maria. Este foi o primeiro tumulto na nova cadeia, no distrito de Santo Antão, que começou a receber detentos em janeiro e não foi inaugurada oficialmente ainda. Hoje, o local abriga 72 apenados. Eram 77, mas cinco foram transferidos após a confusão de sábado. Três dos detentos foram enviados para o Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, e dois, para o Presídio Estadual de Lajeado.

De acordo com o delegado penitenciário regional da Susepe, Rogério Mangini, a rebelião teria sido motivada por uma reivindicação dos presos. Os detentos querem que um apenado de cada galeria fique com as chaves de todas as celas. Com isso, eles poderiam circular pelo corredor da galeria. O esquema funciona no Presídio Regional. Segundo o delegado, a solicitação não será atendida:

– Aqui é diferente. A penitenciária é outro modo de vivência. Eles (presos) querem mandar na cadeia, e não vamos deixar. Eles têm de cumprir a pena, conforme a lei, com disciplina.

Na nova cadeia, os presos passam 22 horas do dia nas celas e duas horas no pátio. A população carcerária ainda não tem atividades, como cultos religiosos, ações de lazer ou de trabalho. Segundo Mangini, as atividades devem ser implantadas em breve.

A rebelião surpreendeu o comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar, tenente-coronel João Ricardo Vargas:

– A penitenciária está com menos de um terço da capacidade e já aconteceu isso lá.

Fragilidade – Sobre a possível fragilidade da penitenciária, considerada de segurança média, o delegado regional da Susepe disse que o modelo foi copiado do norte do país e teria de ser adequado à realidade gaúcha.

– Eles (presos) não têm como sair. Ganharam força por um erro de engenharia, que foi a construção daquelas prateleiras. É um modelo que não é da cultura gaúcha e tem de ser adaptado. Também vamos rever o módulo novo – diz Mangini, referindo-se ao segundo módulo que está em construção.

O delegado informou que, nos próximos dias, um engenheiro da Susepe deve vir à cidade para vistoriar as celas danificadas. O relatório, que deve propor mudanças, será enviado à Secretaria Estadual de Obras Públicas, que fiscaliza a construção. Conforme Mangini, para dar maior segurança ao local, ainda há necessidade de mais agentes e mais equipamentos.

Devido ao feriadão de Carnaval, o Diário não conseguiu contatar a Vara de Execuções Criminais para repercutir sobre o assunto.

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