ARTIGO públicado no diário de Santa Maria do dia 07/02/2011.
2011 com fortes golpes à população A população brasileira acorda e recebe uma notícia de que parlamentares legislam em benefício próprio. Aumentam seus salários sem nenhum pudor. Enquanto isso, um salário mínimo de R$ 540 é aprovado para os trabalhadores e trabalhadoras. Uma vergonha! Esse aumento é um tapa na cara dos brasileiros. A previsão para o próximo governo é de ajustes e ajustes. Há uma política de arrocho que está se desenhando: um projeto de lei que congela os salários dos servidores públicos por 10 anos, somado ao pouco ou quase nenhum investimento na qualificação e na ampliação de concursos públicos.
E, como se não bastasse isso, no último dia como presidente, Lula criou uma nova estatal, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. A proposta foi apresentar uma alternativa às contratações de profissionais terceirizados, consideradas ilegais pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Mas o governo, para resolver uma ilegalidade, ao invés de apontar as soluções com investimento público e concursos, prefere retirar das suas costas o compromisso básico do Estado que é prover educação e saúde públicas, gratuitas e de qualidade. E cria uma empresa privada, ampliando a terceirização e consolidando uma reforma privatista. Aliás, reforma neoliberal, que no passado Lula tanto combatia nos palanques do país inteiro, no intuito de chegar à Presidência.
Enganam-se aqueles que acham que a terceirização é mais barata para o país. O trabalhador terceirizado ganha, sim, salário de miséria e é explorado. Mas a terceirização não implica necessariamente na redução de gastos para o Estado. Embora o salário do trabalhador seja baixo, paga-se um preço alto para a empresa privada contratada gerir a terceirização. Quem lucra não é nem o povo nem o governo e, sim, os donos dessas empresas. A saúde, com essa empresa privada, continuará sendo um filão nas mãos das grandes indústrias farmacêuticas. Será transformada cada vez mais em um grande e lucrativo negócio, afastando, aos poucos, a população dos hospitais públicos.
Enquanto isso, precisamos pagar a conta dos privilégios dos poucos que muito ganham, à custa do suor e do sangue da classe trabalhadora. A população precisa se juntar aos movimentos sindicais e sociais, às poucas lideranças partidárias, que não se venderam ou entregaram a alma para os poderosos. A militância do PSOL de Santa Maria é radicalmente contra essa perversa Medida Provisória (MP) 520 que privatiza e entrega o patrimônio público para a iniciativa privada. Queremos nos juntar a todos que querem barrar essa ameaça à autonomia da universidade e que ameaça um importante direito do povo brasileiro: o acesso aos serviços públicos, gratuitos e de qualidade.
Servidora da UFSM e militante do PSOL
LOIVA ISABEL MARQUES CHANSIS
Fonte: www.diariosm.com.br
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