Novo secretário da Segurança é obstinado pela questão prisional, segundo amigos e colegas
Airton Michels já foi atuou como promotor e esteve no comando da Susepe
Gaúcho de Horizontina, na fronteira com a Argentina, Airton Aloisio Michels, 57 anos, é definido por amigos e colegas como um homem obstinado pela questão prisional. Pelo menos tem sido assim desde 1999, quando o petista assumiu o comando da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) no governo Olívio Dutra.
Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) em 1976, Michels especializou-se em Direito Criminal e chegou a dar aulas sobre o tema na Unisinos. Atuou como promotor em várias comarcas do interior e nas varas do Júri e de Família e Sucessões em Porto Alegre.
Foi em sua rotina como promotor que testemunhou a deterioração de prisões, albergues e penitenciárias gaúchas. _ Não por acaso que ele foi escolhido para ser superintendente. Na época, já tinha grande conhecimento da questão _ conta o defensor público Carlos Frederico Guazzelli, que foi colega de Michels na faculdade e segue seu amigo até hoje.
Por quatro anos, o então superintendente se debateu com a falta de recursos, mas conseguiu tirar do papel reformas que por algum tempo amenizaram o já conhecido problema da falta de vagas.
A partir de maio de 2002, Michels ainda acumulou a função de secretário-substituto de Segurança, com a saída de Lauro Magnago. Enfrentou uma fase difícil, na qual o governo Olívio ficou marcado por adjetivos como "autoritário" e "impositivo".
_ Lembro que ele sempre teve bom humor, apesar das dificuldades. É uma pessoa muito boa de se trabalhar. Conhece a área como ninguém, é técnico e humanista. Eu diria que, hoje, é o maior entendido em cadeias no país _ diz Magnago, amigo de 20 anos.
Em 2008, foi convidado por Tarso Genro, então ministro da Justiça, para o maior desafio de sua carreira: assumir o comando do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Com apoio e dinheiro no caixa, intermediou a construção presídios Brasil afora, investiu em equipamentos e qualificação de pessoal.
Embora assessores e conhecidos garantam que o promotor estava satisfeito no cargo, Michels vinha dando sinais de que queria voltar ao Rio Grande do Sul. Tinha vontade aplicar aqui a experiência adquirida em nível nacional e contava com o apoio dos quatro filhos _ todos já crescidos _ e da atual mulher. Sempre foi um adepto do churrasco e um gremista inveterado.
A partir de agora, terá um novo e instigante desafio pela frente. Para o amigo e consultor em Segurança Pública e Direitos Humanos Marcos Rolim, seu sucesso dependerá de uma condição fundamental:
_ Michels acumulou uma experiência importante na área dos presídios, mas nunca foi um gestor de segurança pública. Vai ter de lidar com coisas mais amplas agora. O segredo será formar uma boa equipe, que o ajude nessa tarefa.
Fonte: www.zerohora.com
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