segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PESADELO DE VOLTA

Onda de ataques põe SP em alerta
Bandidos disparam contra comandante da Rota, atiram em batalhão e incendeiam carros, relembrando ação do PCC em 2006Uma onda de ataques no fim de semana reavivou entre os paulistanos um pesadelo de quatro anos atrás. Em um período de 24 horas, criminosos atiraram contra o comandante da Rota – o batalhão de elite da Polícia Militar –, atacaram o prédio da corporação e incendiaram pelo menos 14 carros. A sequência de crimes lembrou a ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) que promoveu atentados contra prédios policiais, deixou mais de cem mortos e parou a metrópole em maio de 2006.

Embora não confirme oficialmente, a Polícia Militar reforçou o policiamento nas ruas paulistanas depois dos crimes. A maior preocupação está em suas unidades. Com carros posicionados e armas nas mãos, os PMs olham com desconfiança os pedestres e motoristas. Nas bases do Corpo de Bombeiros, alvo dos criminosos em 2006, o comando pôs os soldados de sobreaviso.

O alerta foi acionado no sábado, quando o tenente-coronel Paulo Telhada, comandante da Rota, foi atacado ao sair de casa, na Zona Norte. Ao tirar sua caminhonete da garagem de casa, o oficial viu um passageiro de um carro cinza disparar contra ele. Foram pelo menos 10 tiros. O comandante se escondeu dentro do veículo e conseguiu escapar ileso. Ele conseguiu anotar a placa do carro.

Na madrugada de ontem, a inquietação se intensificou. Em quatro horas, automóveis acabaram queimados Zona Leste – 11 deles de um depósito que abrigava veículos apreendidos pela polícia. Além disso, um homem foi morto a tiros por policiais da Rota após atirar contra o batalhão da corporação. Os policiais revidaram e atingiram Frank Ligieri Sons, 33 anos, que morreu no hospital. O homem havia saído em fevereiro da prisão após cumprir pena por roubo e lesão corporal. Com ele foram encontrados coquetéis molotov e uma pistola ponto 40, mesmo tipo de arma usada contra Telhada.

O Centro de Inteligência Policial da PM e a Polícia Civil suspeitam que os ataques façam parte de uma retaliação do PCC às ações da Rota que atingiram as finanças da liderança da facção, com a apreensão de armas, drogas e dinheiro e a prisão de homens da organização.

São PauloO terror de quatro anos atrás
- Em maio de 2006, São Paulo registrou uma onda de ataques contra órgãos policiais. Os ataques, que se iniciaram em 12 de maio, tiveram mais de 120 mortos – entre eles cerca de quatro dezenas de servidores da segurança
- O terror foi tão grande que, no dia 15, parte do comércio de São Paulo chegou a fechar, em um dia que a capital paulista parou (reprodução ao lado). Os ataques foram atribuídos ao PCC, insatisfeito com o isolamento de seus líderes nas prisões
A ROTA
- As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) é uma espécie de tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo. Atua, por exemplo, no controle de distúrbios
- Ficou conhecida nos anos 70 por participar de operações contra os opositores do regime militar.

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