segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que falta à Susepe:?

É compreensível que a população tenha dificuldade de entender qual a razão de existir da Susepe. Afinal, confusões parecem rondar prisões administradas pela instituição, balbúrdia que diminui sensivelmente quando a Brigada Militar intervém.

Mas é necessário ressaltar que o servidor que estudou para lidar com preso é o agente penitenciário, não o PM. Os agentes aprendem como lidar com um sujeito condenado a ficar anos atrás das grades, o que não é fácil. Eles são treinados para vigiar, não para prender. Para dialogar, não para apenas dar ordens. Agente é ensinado a ver o apenado como um cidadão, não apenas como um inimigo a ser batido.

Mas por que escândalos envolvendo facilitação no ingresso de celulares e fugas compradas são tão comuns nos presídios administrados pela Susepe? A resposta talvez esteja no fato de que, entre funcionários civis, a hierarquia e a disciplina não são tão rígidas como na BM. Nas prisões gerenciadas por PMs, o número de denúncias de corrupção é ínfimo. Nas da Susepe, relatos de cobrança de propina são endêmicos.

Mudar esse quadro leva anos, talvez décadas. Só com muitos concursos, renovação permanente de pessoal e pagando bem. Sem falar na questão hierárquica, decisiva para manter a moral dentro da BM, mas bem menos relevante no mundo dos civis. Não por acaso, greves de agentes penitenciários acontecem seguidamente, diferentemente da esfera militar.

É provável que uma corregedoria mais atuante ajude a manter alguns agentes apartados dos presos, em vez de serem seus parceiros, como mostram processos sobre corrupção que tramitam na Justiça .

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