terça-feira, 1 de junho de 2010

Nenhuma novidade!

Regalias serão mantidas

Susepe reassume direção da Penitenciária Regional hoje apostando em novo diretor Caxias do Sul – Agentes penitenciários reassumem hoje, após 46 dias de intervenção da Brigada Militar (BM), o controle da Penitenciária Regional (Perecs), no Apanhador. Para tentar evitar novos episódios de agressões contra presos, que motivaram a perda da gerência da cadeia, em 16 de abril, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) aposta em um novo diretor.

César Bertolo Alves da Silva, 50 anos, até então lotado em Lagoa Vermelha, foi o escolhido, segundo ele, por ter o perfil adequado para gerenciar crises. Ele adiantou que deve, em um primeiro momento, manter as regalias concedidas por PMs aos presos. Entretanto, garante que, se a disciplina não for cumprida, os presos começarão a perder os benefícios.

– Com preso se conversa, não se faz pressão. Com respeito, a gente consegue as coisas. Mas os presos também precisam se adaptar – diz.

Confira a entrevista.

Pioneiro: Por que o senhor acha ter sido escolhido para assumir a penitenciária?

César Bertolo Alves da Silva: Trabalhei em praticamente todo o Rio Grande do Sul, com exceção da Fronteira. Sempre estive em cargos de chefia em presídios problemáticos. Trabalhei muito tempo no Complexo (nas prisões de Charqueadas), no feminino de Porto Alegre (Madre Pelletier), em Guaporé e em Erechim, sempre em situações problemáticas.

Pioneiro: O senhor chega a Caxias em meio a uma crise grave, já que agentes e PMs foram flagrados agredindo presos.

Silva: Com certeza. Aconteceram estes episódios. Faltou um pouco de direção. É como eu penso, se você não tem uma pessoa competente na direção, a coisa não flui. E presídio é complexo. Se você não resolve um problema hoje, ele se agrava e toma uma proporção muito grande, como aconteceu na Perecs. Então, nessa hora, é preciso buscar soluções.

Pioneiro O problema está controlado no Apanhador?

Silva: Olha, no momento, sei lá. Faz uma semana que estou meio direto lá, conversando com o major César (oficial da BM responsável pela administração até ontem). Uma coisa é ter a Susepe, ter agentes na cadeia. Nós temos uma sistemática de trabalho, e a Brigada tem outra.

Pioneiro: Antes de a Brigada assumir a direção, o tratamento penal na cadeia era diferente. Presos não podiam fumar, passavam 22 horas trancados nas celas, não tinham direito a visitas íntimas nas celas e não podiam praticar esportes. Como vão ficar estas regalias concedidas pelos PMs?

Silva: A Brigada fez isso para acalmar a massa carcerária. Eu não vejo problema, por exemplo, em ter visita íntima. Todas as penitenciárias têm. Esta foi construída para ser um modelo. Mas, particularmente, não acredito que tenhamos condições para ter uma (cadeia modelo) aqui no Rio Grande do Sul. Para ter um presídio modelo, seria preciso mais recursos, e o Estado não dispõe.

Pioneiro: E o uniforme será mantido, já que os presos ficam sem nas galerias e só os usam para ir para o pátio?

Silva: No pátio, sim.

Pioneiro: O senhor acredita que possa acontecer revolta dos presos com a suspensão de alguma das regalias oferecidas pela BM?

Silva: Tudo pode acontecer. O presídio está bem em um dia e não está no outro. Pode estar tudo tranquilo e mudar daqui a meia hora.

Pioneiro: A arquitetura do presídio preocupa o senhor, principalmente pela ausência de muralha?

Silva: O fundamental na área externa é o muro. A cadeia foi projetada para um tipo de segurança a qual não tem. A Brigada atua muito pouco por não ter efetivo suficiente. É cansativo seis PMs fazerem a ronda externa. E, quando chega a noite, tem um nevoeiro que não dá para enxergar um metro na frente. É aí que surgem os problemas, como as fugas.

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