Emboscada fere detento
Vítima é do regime semiaberto e estava saindo da cadeia quando levou três tiros Os moradores do bairro Medianeira, vizinhos do Presídio Regional de Santa Maria, acordaram ao som de disparos de armas de fogo, na manhã de ontem. Juliano Mello Marchiori, 30 anos, detento do regime semiaberto, foi atingido por três tiros em uma emboscada que não era para ele. O fato ocorreu quando os presos saíam do Albergue Estadual, que fica junto ao presídio.
Por volta das 7h, outro apenado – que não quer ser identificado – deixava o prédio em direção ao trabalho e, quando estava a cerca de três quadras do presídio, quatro motos, com dois homens em cada uma delas, aproximaram-se. O carona de uma das motocicletas estaria com dois revólveres e atirou na direção do apenado. Ele teria corrido na tentativa de rotornar ao presídio.
No caminho de volta, o alvo dos tiros encontrou outros dois detentos que também saíam do albergue. No mesmo momento, os motociclistas dispararam novamente. Três tiros atingiram Marchiori, que ficou ferido no ombro e no abdome e foi levado ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm).
Os fatos foram relatados à equipe do Diário pelo preso que seria o alvo da emboscada, enquanto a ocorrência era registrada na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento. Ele disse que não sabia quem seriam os autores dos disparos nem o motivo da emboscada. Viaturas da Brigada Militar e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) fizeram buscas nas redondezas, mas nenhum suspeito foi localizado.
Mais tarde, uma tia do rapaz ligou para ele dizendo que uma moto estava rondando a casa dela, na Vila São Serafim. Uma guarnição foi ao local, mas ninguém foi encontrado.
A 1ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pelo caso, vai investigar a relação da emboscada com outro crime ocorrido no ano passado. O albergado, alvo do atentado de ontem, é acusado de ter participado de um assassinato em maio de 2009, quando um homem foi morto a tiros no bairro Carolina. O crime teria sido motivado por uma rixa de vizinhos e possível tráfico de drogas. O irmão da vítima do homicídio seria suspeito de ser o autor dos disparos de ontem. Ele teria ameaçado matar a família do detento.
Insegurança– Alguns moradores reclamam da falta de segurança no entorno do presídio. Januária Flores, 27 anos, mora na Rua Izidoro Grassi, onde Marchiori foi baleado. Ela diz que nasceu e passou toda a vida no local e seria preciso mais policiamento no lugar.
– Estava dormindo e acordei com os tiros. Quando saí de casa, vi o homem estendido na calçada – relata a dona-de-casa.
Já o pintor de automóveis, Gelson Marafiga, 54 anos, diz estar acostumado com as situações de perigo vividas nas proximidades da casa prisional. Ele aponta os reparos feitos no telhado da casa da mãe – que fica na esquina do presídio e onde ele tem uma oficina – feitos por causa dos buracos abertos por tiros nas telhas. Mesmo assim, não reclama:
– Aqui não tem assalto, o único problema são os tiros. Quando ouvimos os disparos, temos de nos esconder ou nos atirar no chão.
Fonte: www.diariosm.com.br
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