terça-feira, 13 de abril de 2010

Não é o ''Modelo'' que está errado é os valores que estão invertido!!!

UM MODELO EM COLAPSO

Promessa da construção de um muro e o reforço de agentes foi a maneira que o Estado encontrou para tentar contornar a crise prisional caxiense. A medida seria insuficiente para salvar o sistema diferenciado para o cumprimento de pena que a Susepe implantou na Penitenciária Regional. Um princípio de motim, fuga, a interdição judicial, agressões contra preso, afastamento de agentes e a intervenção da corregedoria mostram o descontrole na cadeia inaugurada para ser modelo no governo Yeda Crusius.

ENTREVISTA: Sonáli da Cruz Zluhan, juíza da Vara de Execuções Criminais em Caxias do Sul Caxias do Sul – Somente depois de o sistema prisional caxiense ter entrado em colapso é que o governo do Estado resolveu tentar salvar a cadeia eleita para ser modelo no país. Ontem à tarde, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) anunciou a construção de um muro no entorno do complexo orçado em R$ 4 milhões e o reforço de 35 agentes na Penitenciária Regional de Caxias do Sul (Percs). Os novos servidores devem estar na cidade a partir da próxima segunda-feira. A muralha está na fase de projeto e não tem data para ser iniciada e concluída.

Porém, para conseguir reconstruir o modelo diferenciado de cumprimento de pena e fazer a única cadeia para detentos do regime fechado inaugurada no governo Yeda Crusius (PSDB) dar certo, na opinião de quem trabalha com o sistema prisional, não bastam mais servidores e proteção contra fugas. Os detentos perderam o respeito pelo agentes e começam a colocar contra a parede o regime disciplinar mais rígido do sistema prisional gaúcho. Apenados, familiares e agentes temem o resultado final de uma iminente rebelião geral na Percs e que possivelmente seria seguida pela Penitenciária Industrial de Caxias (Pics).

A derrocada do conceito de presídio modelo se iniciou no dia seguinte à ocupação da cadeia, em outubro de 2008. O presídio havia sido considerado inseguro por técnicos da Susepe, Ministério Público e Brigada Militar (BM). Mesmo assim, o Estado decidiu levar gradualmente os detentos para a localidade de Apanhador. A única maneira para garantir o funcionamento da prisão era lotá-la com agentes. No início da ocupação das 432 vagas, havia 85 agentes. Um a um eles foram deixando o presídio e fragilizando cada vez mais uma estrutura que todos no sistema prisional desconheciam. A Percs é a única cadeia que segue o modelo americano no Estado. Alguns por problemas pessoais, mas a maioria deles retornou para sua região de origem graças ao lobby de políticos e empresários.

A falta de agentes e a insegurança interna apontados por estudos do próprio governo, da BM e do MP endureceu ainda mais a disciplina na cadeia e, aos poucos, foi minando o sistema. Para conseguir manter o projeto da Percs, os presos passaram a ficar 22 horas por dia trancados dentro de suas celas. Os refeitórios, onde todos os detentos fariam três refeições diárias, foram abolidos. A sala de aula nunca funcionou e o trabalho que seria oferecido em amplas salas se resumiu a atividades simples, como costura de bolas e montagem de chaveiros.

– Sem agentes não tem como ficar movimentando o preso dentro da cadeia. O negócio é deixá-lo fechado na cela. Uma hora de pátio e outra solto na galeria – disse um servidor que trabalhou no Apanhador.

O novo sistema desagradou a presos, acostumados com tabaco, TV e rádios na celas e a possibilidade de cozinhar e receber alimentos. Eles não aceitaram usar uniformes e chinelos de dedo. Aos poucos, a Percs ganhou a fama de pior cadeia gaúcha. Para o detento, a única vantagem oferecida no complexo do Apanhador seria cumprir pena em uma cadeia que não estava lotada.

Fonte: Jornal o Pioneiro de Caxias do Sul.

Então tá! O modelo de prisão desagradou os presos...Vamos seguir o que o Jornalista Datena da TV Bandeirantes disse ontem: -Vamos deixar os presos sair e vamos nós lá pra dentro assim pode ser que teremos um pouco mais de segurança!!!

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