sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Presídios e fábricas, por Jairo Jorge

Jairo Jorge é o prefeito do município de Canoas

Nos últimos meses, alguns prefeitos disseram publicamente que não queriam presídios, mas fábricas em suas cidades. Sempre entendi que esta era uma falsa polêmica, pois segurança e desenvolvimento andam juntos. Nenhum grupo econômico está disposto a investir se houver um ambiente violento e inseguro em uma localidade.

Segurança é o tema que preocupa hoje a sociedade gaúcha. O medo e a incerteza marcam a vida de milhares de famílias, por isso é preciso romper paradigmas e construir novas soluções, buscando aquilo que deu certo em outros lugares.

De Nova York a Medellín ou de Bogotá a Diadema, todas a cidades que obtiveram êxito em suas políticas de segurança basearam suas diferentes estratégias em três elementos comuns: policiamento comunitário, inteligência e projetos sociais. Conjugar a um só tempo segurança e cidadania, mobilizando a comunidade para a construção da paz.

No entanto, este caminho novo exige também uma nova compreensão. A segurança, por sua importância estratégica, deve ser uma política de Estado e não apenas de governos. Precisamos transcender as nossas disputas partidárias e construir soluções concertadas, pactuadas entre os governos federal, estadual e municipal. O Pronasci é um bom exemplo, onde as ações articuladas entre as três esferas da federação começam a colher os primeiros e importantes resultados.

Mas este esforço exige uma ação em todas as frentes. O que adianta a Brigada prender, a polícia investigar, a Justiça condenar, se o Estado não consegue receber com o mínimo de dignidade aqueles que irão cumprir sua pena. Além da falta de vagas no sistema prisional, há um problema maior: as péssimas condições em que vivem os apenados, transformando os presídios em verdadeiros centros de especialização em crimes. Ao invés da ressocialização, a ociosidade e o preconceito levam a um círculo vicioso, no qual a violência gera mais violência.

É preciso romper este processo, gerando oportunidades. Presídios onde os homens e mulheres possam trabalhar e estudar, gerar renda, contribuir com o sustento de suas famílias e sair melhor do que entraram. Este não é um desafio, é uma obrigação daqueles que acreditam na humanidade.

Queremos novos presídios com este novo modelo. Não importa qual a modalidade, mas sim o resultado. A proposta apresentada ontem à sociedade pelo governo do Estado e a prefeitura de Canoas mostra que é possível combinar desenvolvimento com segurança. Ao lado do complexo prisional, um parque empresarial que terá incentivos, gerando centenas de empregos para a população. O presídio não vai afastar as fábricas, ao contrário, vai atraí-las, gerando também oportunidades para os presidiários que poderão trabalhar e produzir.

Com melhorias efetivas na segurança, educação, saúde e desenvolvimento, Canoas e o Rio Grande ganham. Não estamos olhando para aquilo que nos diferencia, mas para o que nos une. Mostramos que é possível construir pontes de diálogo e entendimento que nos levem a um futuro melhor.

Fonte:http://achcavalcanti.blogspot.com/

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