Susepe pode entrar em greve
Possibilidade de oficiais da BM dirigirem novas casas prisionais seria o estopim da crise
A nomeação de 160 novos agentes penitenciários pela governadora Yeda Crusius, na semana passada, causou uma nova crise na Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), inclusive com a ameaça de ser deflagrada uma nova greve da categoria. O estopim é a provável designação de oficiais da Brigada Militar (BM) para a direção das oito novas casas prisionais de regime semiaberto a serem construídas, além da obrigatoriedade dos novos agentes a se submeterem a um curso de formação de pouco mais de um mês, ministrados por instrutores da BM, na academia da corporação.
Os novatos serão lotados nos oito albergues. A proposta de policiais militares assumirem a direção dos albergues foi feita pela governadora e confirmada por fontes do Palácio Piratini, ressaltando, entretanto, que teria sido uma ideia inicial, podendo ser mudada. O sindicato dos penitenciários (Amapergs/Sindicato) repudiou a proposição. Quanto as aulas na BM, os novatos alegam já terem feito o curso de formação da Susepe, com duração de, aproximadamente, seis meses.
Na informação divulgada, na sexta-feira, pelo Palácio Piratini, consta que os agentes nomeados – 140 homens e 20 mulheres –, aprovados no último concurso público, confirma que eles já passaram pelo curso de formação da Superintendência, mas que deverão fazer um outro na BM. O objetivo, segundo a nota, é "integrá-los ao novo modelo adotado pela segurança pública no Rio Grande do Sul". O nomeados prometem fazer uma manifestação, na manhã desta segunda-feira, em frente ao prédio da Secretaria da Segurança Pública – onde também fica a sede central da Susepe –, para protestar contra a obrigatoriedade do curso e da provável designação de policiais militares para direção dos albergues.
Agentes penitenciários se posicionaram contra a medida. a revolta dentro da instituição é grande. Segundo um deles, lotado em uma casa da região Metropolitana, é inconcebível que em uma casa prisional tenha dois administradores – um para o fechado e outro para o semiaberto –, e, além disso, um deles ser policial militar. "Os servidores não vão aceitar esse tipo de coisa", afirmou o servidor, pedindo para não ter o seu nome divulgado. "É um contrassenso lotar cinco agentes para cuidar de 150 presos no semiaberto e o mesmo número de funcionários para cuidar de 450, no fechado", exemplificou o agente penitenciário.
O oito albergues serão construídos no terreno de estabelecimentos penais já existentes e gerarão 1,2 mil vagas, com cada casa prisional tendo capacidade para 150 detentos. A construção é pré-moldada, tendo todo isolamento térmico entre outros acessórios. Um dos albergues, começou a ser construído em 4 de janeiro e a espectativa é que esta semana já esteja pronto. A inauguração deve ocorrer no próximo dia 25. Os outros estabelecimentos penais se localização em Novo Hamburgo (2), um dentro da Penitenciária Modulada de Osório, dois no Instituto Miguel Dario, um feminino no terreno do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) e um no Instituto Penal de Viamão. A intenção é inaugurar três nas primeiras semanas de fevereiro e os outros quatro no final do mesmo mês.
Fonte: Paulo Tavares / Correio do Povo
Fonte:http://www.amapergs-sindicato.org.br
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