quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

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Aprovados em concurso da Susepe ameaçam boicotar curso ministrado pela Brigada

Novos albergues que serão construídos no Estado seriam dirigidos por oficiais da BM, o que gerou desconforto
Os mais de 300 aprovados no último concurso da Susepe ameaçam boicotar o curso a ser ministrado por policiais militares, na Academia da Brigada Militar (BM). Na última sexta-feira, a governadora Yeda Crusius nomeou 160 novos agentes penitenciários para atuarem nos oito estabelecimentos penais de regime semiaberto a serem construídos. Estes albergues, no entanto, seriam dirigidos por oficiais da BM - majores -, possibilidade que gerou desconforto entre os funcionários da Susepe e os novatos.

A obrigatoriedade de ter que fazer um outro curso de formação, desta vez na BM, também não agradou aos agentes penitenciários. Muitos afirmam não entender o porquê deste segundo curso, uma vez que os novatos já fizeram um, preparado pela Escola Penitenciária, da Susepe. A manifestação que os novos agentes pretendiam fazer não ocorreu. As aulas, segundo a Academia da BM, não começaram hoje.

O presidente do sindicato dos penitenciários (Amapergs/Sindicato), Luiz Fernando Rocha, disse nesta segunda-feira à Rádio Guaíba que a Brigada Militar não tem preparo para assumir a direção de casas prisionais. Rocha citou casos como o Presídio Central - administrado por policiais militares -, para argumentar que os PMs não tem a preparação adequada. O vice-presidente da entidade, Flávio Berneira, comentou que as duas possibilidades mexem com uma estrutura que é muito frágil, além de ser uma época - férias - de grande estresse nas cadeias. "Não somos contra a qualificação do nosso servidor", afirmou Berneira. "Mas tem que ser uma qualificação maior do que aquela que ele (servidor) já recebeu", disse, advertindo que as consequências desses atos "não serão boas".

Um dos aprovados no concurso disse que não pretende fazer o curso ministrado pela BM. O agente penitenciário, de 38 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, alega que os aprovados já fizeram o curso de formação na Susepe, com uma duração de mais de três meses, onde os professores eram da Superintendência. De acordo com ele, os seus colegas estão indignados com a situação e alguma coisa poderá ser feita. Uma das alegações é que grande parte dos aprovados teve que se deslocar a Porto Alegre, pagando hotel ou pensão, para fazer o curso e agora terá que fazer de novo, por sete semanas (tempo de duração das aulas na Academia da BM). "Não faz sentido este curso, cuja determinação nos pegou de surpresa", disse o futuro agente penitenciário. "O estatuto da Susepe é de uma instituição civil e não militar".

Fonte: Paulo Roberto Tavares / Correio do Povo

Fonte:http://www.amapergs-sindicato.org.br

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