quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


REBELIÃO NA PENITENCIÁRIA CENTRAL DO ESTADO DO PARANÁ

De quem é a responsabilidade?

Mais uma vez o Paraná foi cenário de uma das mais chocantes cenas que podemos presenciar, qual seja, uma rebelião penitenciária.

O Estado do Paraná que comumente se orgulha de ter o melhor Sistema Penitenciário do Brasil, viu um de seus principais pilares ruir nestes dias 14 e 15 de janeiro de 2010.

Presos de facções criminosas diversas entraram em confronto dentro da maior Penitenciária do Estado, resultando, assim, em cinco presos mortos, dos quais, 3 foram carbonizados. Se não bastasse essa tragédia, que por si já é algo bastante frustrante para um ideal de administração penitenciária, tivemos ainda 03 Agentes Penitenciários retidos como reféns durante toda a rebelião, que por sorte, saíram apenas com ferimentos leves.

Este fato se deu, “coincidentemente”, 03 dias após a saída da Polícia Militar do interior daquela unidade, sendo que esta instituição permaneceu nos corredores da PCE por um período de mais de oito anos, desde a data da última rebelião, 2001.

Agora, depois de terminada, as autoridades começam a jogar a culpa nos agentes penitenciários, o que seria presumível que fizessem, afinal de contas, é muito mais fácil acusar quem tem menos instrumentos de defesa, do que realmente admitir que a culpa desse funesto acontecimento foi do Governo Estadual nas pessoas dos Secretários de Justiça e de Segurança Pública, bem como, do Diretor daquela Unidade Penal, que pecou pela complacência na retirada da PM.

Faticamente, senhores, quem tem menos culpa nesse episódio são os Agentes Penitenciários, que pelo contrário, são vítimas da má administração penitenciária que assola o Sistema Penitenciário Paranaense.

A partir de agora, o que vamos assistir é um espetáculo cênico dos verdadeiros responsáveis na tentativa de eximirem-se da culpa que realmente têm.

O SINDARSPEN irá dispor de todos os recursos para proteger seus membros, quais sejam, os Agentes Penitenciários do Paraná, dos mandos e desmandos, das ingerências “absolutistas” que este governo vem fazendo no Sistema Penitenciário.

Vimos que ter a melhor estrutura penitenciária do país não basta para conter as facções criminosas, nem tampouco adotar políticas permissivas como a que vem tomando conta das penitenciárias paranaenses, haja vista que se tal política funcionasse, a PCE seria a última unidade penal a se rebelar, pois os presos daquela unidade tinham regalias e confortos que muitos, mas muitos trabalhadores honestos não conseguem obter em sua vida cotidiana.

E por falar neles, trabalhadores honestos, agora a conta de tudo isso fica a cargo deles, não é mesmo?! Afinal, são dos impostos que tais indivíduos recolhem que sairá o custeio de todo esse prejuízo causado pelos administradores deste Estado. Dinheiro que poderia ser utilizado para a construção, por exemplo, de mais umas duas escolas.

Diante de tudo isto, termino esta carta conclamando ao Governo Estadual que tenha responsabilidade no trato da administração penitenciária. Invista na profissionalização fática dos servidores penitenciários e não muna os presos com ferramentas suficientes para mais um evento como este.

É o que toda a sociedade espera.

Jairo Filho

Fonte: Texto recebido por e-mail

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