Presídio Central testará bloqueador de celular
Sistema deverá funcionar experimentalmente dentro de duas semanas na maior prisão gaúcha
Descrito pela polícia como uma ferramenta essencial no combate ao crime organizado, um sistema bloqueador de sinal de celular deverá ser testado dentro de duas semanas no Presídio Central de Porto Alegre. Desde 2006, a questão do bloqueador nos presídios gaúchos vem sendo debatida.
Testes já foram feitos, mas, passados três anos, nada ocorreu de concreto. Enquanto isso, os presidiários comandam o crime organizado de dentro das cadeias, organizando o tráfico e ordenando mortes.
O equipamento foi desenvolvido por uma empresa de Santa Catarina que está atuando em presídios no Rio de Janeiro, segundo informou ontem Nelson Azevedo Junior, diretor-adjunto da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Justificando questões de segurança, Junior não divulgou o nome da empresa. Apenas disse que os resultados obtidos no Rio até agora são satisfatórios.
– Em 2006, foi realizado um teste de um bloqueador em Charqueadas que acabou causando prejuízos à boa parte da cidade em função da interferência nos celulares. Se conseguirmos solucionar o problema, temos como viabilizar a instalação do equipamento – comenta.
Além do fabricante catarinense, uma outra empresa está interessada em instalar bloqueadores de celular em presídios gaúchos. Trata-se da estatal chinesa Potevio, responsável pelos sistemas de tecnologia da informação no Complexo Olímpico de Pequim, nos jogos de 2008. Ontem, por telefone desde São Paulo, um dos representantes da Potevio disse a ZH que está em fase final a avaliação das informações coletadas pelos técnicos no Rio Grande do Sul.
Em janeiro, foi anunciado que a Potevio faria o teste do bloqueador em três meses. Mas houve um atraso devido a problemas técnicos, segundo informou o deputado federal Claudio Diaz, na época, depois de visitar uma série de empresas na China e de convencer os chineses a testarem a sua tecnologia no Estado. Ainda não há data marcada para o teste do equipamento chinês, mas isso deve ser feito no Presídio Central.
– Depois dos testes, deve haver uma licitação. Vamos ficar com o equipamento que melhor se encaixar às nossas necessidades – anunciou o diretor-adjunto da Susepe.
A verba para a compra do sistema de bloqueadores deverá sair do Programa Cidadão Seguro, que tem R$ 462 milhões para investir, de acordo com a assessoria da Secretaria da Segurança Pública. Ranolfo Vieira Junior, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), lembra a importância da instalação dos equipamentos:
– O bloqueio do sinal de celular nos presídios vai abalar o crime organizado
Fonte: www.zerohora.com
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